
A transportadora que chega despreparada à Black Friday não perde apenas a sexta-feira: ela paga agregado mais caro em novembro, entrega com atraso em dezembro, recebe somente em janeiro o que gastou no pico e, em fevereiro, descobre que o embarcador comparou o prazo dela com o do concorrente. É por isso que o problema não começa no dia 27 de novembro: começa nas decisões que ficam para a última hora. Em mais de 26 anos atendendo transportadoras, sempre vejo essa história se repetir com empresas de todos os tamanhos. Muda o modal e o porte, mas a consequência é quase sempre a mesma.
Por que o pico pega a transportadora de surpresa todo ano?
Porque a conta é feita olhando apenas para o dia, enquanto a operação vive uma janela. Uma das maiores transportadoras do país descreve o volume aumentando cerca de 20 dias antes da Black Friday e permanecendo alto por mais uns 10 dias. É um mês de operação acima do normal, com dois feriados nacionais no meio, nos dias 02 e 20/11, e ainda com a Fenatran na segunda semana de novembro.
Quem deixa para planejar muito perto da Black Friday descobre, ao buscar agregado e abrir vaga de conferente, que o mercado inteiro está atrás dos mesmos profissionais. De acordo com a NTC&Logística, 88% das transportadoras encontram grande dificuldade para contratar motoristas e agregados. No pico, essa fila cresce ainda mais, e quem entra nela por último paga mais caro e pode até ficar sem.
Qual é o custo real de não decidir antes de novembro?
- Capacidade: a carga chega e não tem braço nem caminhão para ela, então a transportadora recusa justamente o que o cliente mais precisava naquele momento.
- Margem: o volume cresce sobre a mesma tabela de frete, e cada reentrega, hora extra e litro de diesel a mais consome o ganho que o volume deveria trazer.
- Prazo: na Black Friday de 2025, o prazo médio de entrega do e-commerce foi de 5 para 7 dias, segundo a Frete Rápido, e o embarcador mede isso por transportadora e por região.
- Cliente: aqui está o que mais dói e o que menos aparece na planilha. O embarcador que ficou sem informação em dezembro não liga para reclamar em janeiro. Ele abre cotação com outra transportadora.
Esses custos aparecem todos os dias nos atendimentos e nas conversas com os nossos clientes, e há uma fala que sempre se repete: “O embarcador quer sempre fazer mais no menor tempo possível. E a verdade é que isso é crucial quando ele contrata grandes quantidades de frete.” Ou seja, o que o cliente da sua transportadora cobra durante o pico é volume e velocidade juntos.
O que a transportadora preparada faz de diferente?
Ela não é maior nem tem mais veículos: apenas sabe que precisa planejar e decidir com antecedência. Por isso, estima o volume com cada cliente antes de novembro chegar e fecha um acordo de capacidade por escrito, em vez de aceitar tudo e descobrir o limite somente na doca. Garante agregados e turnos extras enquanto ainda existem profissionais disponíveis. Na tabela de frete, não revisa apenas o quilômetro: inclui na conta o diesel, a reentrega e as horas extras. Analisa o caixa de novembro a fevereiro, porque sabe que o pico custa antes de pagar. E mantém o cliente sempre bem informado, para que ele não precise perguntar.
Além disso, a transportadora preparada tem total ciência de que o pico muda de acordo com o modal: quem opera Contêiner já viu a importação para a Black Friday e o Natal passar pelo porto ainda em outubro. Quem opera Aéreo vira a saída para recuperar prazo quando o Rodoviário atrasa. E quem opera Rodoviário foca na dor da última milha e do roubo de carga, que também têm pico em novembro e dezembro.
Três decisões que a sua transportadora precisa tomar nesta semana
- Ligar para os cinco maiores clientes e perguntar quanto volume eles projetam para novembro e dezembro, por região. Com a resposta na mão, a capacidade deixa de ser chute.
- Fechar agregados e escala de turnos antes de novembro começar, com o custo deles já dentro da tabela de frete que vai valer no pico.
- Definir quem decide o que fazer quando a entrega atrasa, antes que isso aconteça: painel diário, gatilho de alerta e um responsável por cliente. Quem usa o TMS Web Cloud da ESL tem volume, custo, prazo e ocorrência no mesmo lugar, o que acelera e oferece segurança para a tomada de decisão acontecer antes da ligação do cliente.
O calendário completo do pico, de outubro a janeiro, com o checklist por tema e o cronograma semanal, está no e-book gratuito “Black Friday e fim de ano: o pico se decide em outubro”, que a ESL acabou de lançar e foi elaborado para quem atua na gestão de transporte de cargas.
Quem decide antes de novembro atravessa o pico ganhando dinheiro.
Quem decide em cima da hora trabalha mais e lucra menos.
Fontes: Braspress, via Diário do Comércio; NTC&Logística, via Agência Infra; Frete Rápido, via Mundo Logística.


